A histórica carência de representação política do Planalto Norte catarinense, incluindo cidades estratégicas como São Bento do Sul, Canoinhas e Mafra, tem suas raízes profundas no comportamento do eleitorado local. Especialistas em análise política identificam o fenômeno da fragmentação do voto como o principal obstáculo para a eleição de deputados federais e estaduais originários da própria região. Em vez de concentrar seus votos em lideranças regionais, uma parcela significativa dos eleitores direciona seu apoio a candidatos de outras partes do estado, enfraquecendo o poder político local.

O colégio eleitoral do Planalto Norte e de cidades adjacentes como São Bento do Sul representa um bloco considerável, com potencial para gerar entre 200 mil e 250 mil votos válidos em eleições gerais. Matematicamente, esse volume seria mais do que suficiente para garantir a eleição de representantes para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) e para a Câmara dos Deputados. No entanto, a realidade nas urnas diverge drasticamente desse potencial, com a maioria dos votos acabando por beneficiar candidatos sem laços históricos ou domicílio na região.

Dados levantados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) indicam que uma estimativa histórica aponta que entre 60% e 70% dos votos válidos para cargos de deputado na região são destinados a candidatos externos. Esses políticos, muitas vezes descritos como "paraquedistas", obtêm votações dispersas em diversas cidades, mas concentram seus esforços e, consequentemente, os investimentos após a eleição, em suas bases eleitorais de origem. Os candidatos genuinamente locais, por sua vez, conseguem reter apenas 30% a 40% dos votos regionais, e essa parcela ainda se divide entre múltiplos concorrentes da própria terra, pulverizando ainda mais as chances de eleição.

Políticos e cientistas políticos da região convergem na análise de que o Planalto Norte e São Bento do Sul sofrem com uma "cultura de desunião" partidária que, inadvertidamente, fortalece caciques políticos de outras regiões do estado, como o litoral, o oeste e o sul. Enquanto outras microrregiões conseguem concentrar seus votos em poucas lideranças para assegurar sua representação, o Planalto Norte distribui seu potencial eleitoral por dezenas de candidatos externos. O resultado é um ciclo vicioso onde parlamentares eleitos com o voto do Planalto Norte priorizam suas bases eleitorais, deixando a região à mercê das "sobras" de emendas e investimentos, perpetuando sua falta de voz no cenário estadual e federal.