O curso de Medicina da Universidade do Contestado (UnC), localizado em Mafra, no Planalto Norte catarinense, apesar de ter sido avaliado com nota 1 no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, recebeu aproximadamente R$ 17,4 milhões em bolsas de estudo através do programa Universidade Gratuita do governo de Santa Catarina desde 2023. Este montante representa o dobro do investimento realizado na construção de algumas escolas básicas inauguradas recentemente pela gestão estadual.
O programa Universidade Gratuita, que financia os estudos de estudantes em Santa Catarina, exige como contrapartida trabalho voluntário, com carga horária de até 480 horas. A legislação que rege o programa também prevê que avaliações negativas por órgãos como o Ministério da Educação (MEC) podem levar ao corte dos recursos destinados às instituições.
Desde 2023, a UnC recebeu mais de R$ 51 milhões em recursos totais do governo estadual, sendo que 70% desse valor foram direcionados exclusivamente aos três cursos de Medicina autorizados pela instituição. Desses, R$ 17,4 milhões beneficiaram o curso de Mafra, enquanto outros R$ 18,6 milhões foram destinados a dois cursos de Medicina abertos nos últimos quatro anos. O Portal da Transparência do estado indica que o governo chegou a cobrir mensalidades superiores a R$ 15 mil para estudantes desta faculdade, valor que poderia custear 25 Bolsas Estudante para o Ensino Médio, um programa descontinuado na atual gestão.
A baixa avaliação do curso de Medicina em Mafra, onde de 43 estudantes apenas 15 foram considerados proficientes, contrasta com os vultosos investimentos públicos. O Enamed, segundo o MEC, possui "relevância estratégica nacional" e seus resultados "impactam diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS) e o ingresso de novos médicos no mercado de trabalho". O Conselho Federal de Medicina já alertou que a "expansão acelerada de cursos, especialmente no setor privado, não foi acompanhada de critérios mínimos de qualidade, infraestrutura e campo de prática adequados". O programa Universidade Gratuita também já foi alvo de críticas por beneficiar estudantes com alto patrimônio, levando a ajustes nas regras, como a implementação de um teto patrimonial de R$ 1,5 milhão.

