A janela partidária, período crucial para a movimentação de políticos que desejam disputar as eleições de 2026, encerrou-se com uma intensa reconfiguração do cenário em Santa Catarina. Oito prefeitos e nove deputados estaduais e federais realizaram mudanças estratégicas em suas filiações partidárias, visando principalmente a busca por novas candidaturas, tanto no legislativo quanto no executivo estadual. Essa série de trocas e licenciamentos reflete a efervescência política e a antecipação das articulações para o próximo pleito.
Entre as movimentações mais expressivas, destacam-se os licenciamentos dos prefeitos de Joinville e Chapecó. Adriano Silva, então filiado ao Novo e chefe do executivo de Joinville, deixou o cargo para se candidatar a vice na chapa do atual governador Jorginho Mello, do Partido Liberal (PL). De forma semelhante, João Rodrigues, prefeito de Chapecó pelo PSD, renunciou à prefeitura com o objetivo de concorrer ao Governo do Estado, sinalizando uma disputa majoritária de peso na próxima eleição.
No âmbito legislativo, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) presenciou uma notável dança das cadeiras. O Partido Liberal (PL) consolidou-se como o maior ganhador da janela partidária, recebendo a filiação de quatro deputados estaduais: Camilo Martins, Junior Cardoso, Jair Miotto e Marcos da Rosa. Com essas adesões, a bancada liberal alcançou 14 cadeiras, reforçando consideravelmente sua influência no parlamento estadual. Em contrapartida, Nilso Berlanda fez o caminho inverso, migrando do PL para o PSD, enquanto o Republicanos atraiu Lucas Neves, ex-Podemos, elevando sua representatividade para dois parlamentares.
Além dos movimentos de alto perfil, outros seis prefeitos também renunciaram aos seus mandatos para buscar uma vaga na Alesc. São eles: Edilson Massoco, que deixou a prefeitura de Concórdia; Evandro Scaini, que saiu da administração de Balneário Arroio do Silva; Emerson Maas, que renunciou à prefeitura de Mafra; Juliana Maciel, ex-prefeita de Canoinhas; Liba Fronza, que deixou o comando de Navegantes; e Salmir da Silva, que renunciou em Biguaçu. Essas decisões sublinham a corrida por assentos no legislativo estadual e a dinâmica de renovação política que caracteriza o período pré-eleitoral.
Todas essas reconfigurações partidárias estão em conformidade com as exigências da Justiça Eleitoral. Conforme explicado pela Desembargadora Eleitoral Substituta do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE/SC), Luíza Portella, para concorrer às eleições de outubro, os interessados devem estar filiados a um partido político até o dia 4 de abril. Essa data limite se aplica tanto à primeira filiação quanto à mudança de legenda, garantindo que os candidatos cumpram o requisito legal de filiação partidária por no mínimo seis meses antes do pleito.

