A escalada do conflito no Oriente Médio, desencadeada por ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, já reflete diretamente nos preços e na oferta de combustíveis em Santa Catarina. O fechamento do Estreito de Ormuz, um canal vital para o transporte de petróleo mundial, é apontado como principal causa para as flutuações no mercado.

Em Santa Catarina, o diesel tem sido o mais afetado, com o preço médio saltando de R$ 6,11 para R$ 6,69 em poucas semanas, um aumento de quase 10%. Em municípios como Mafra e Itajaí, a alta foi ainda mais expressiva, chegando a 17,5% e 13,8%, respectivamente. Essa elevação nos custos gerou preocupação, levando prefeituras do Sul do Estado, como Araranguá e Lauro Müller, a adotarem medidas de racionamento de diesel para abastecer a frota de veículos municipais.

Em resposta à situação, o governo de Santa Catarina esclareceu que a redução unilateral do ICMS sobre o diesel não é legalmente viável, uma vez que o imposto é cobrado diretamente nas refinarias com valor fixo por litro, acordado nacionalmente. O Estado reiterou sua política de não aumentar impostos e apontou estudos que indicam que cortes tributários nem sempre se traduzem em preços menores nas bombas, citando um caso onde o preço da gasolina caiu nas refinarias, mas aumentou nos postos.

Apesar das preocupações com o abastecimento em nível municipal, sindicatos que representam os postos de gasolina em Santa Catarina descartam a possibilidade de racionamento ou desabastecimento em larga escala. Segundo representantes do setor, as distribuidoras continuam atendendo aos pedidos normalmente, embora possam impor restrições a pedidos que excedam o volume usual de compra. A alta nos preços, no entanto, é admitida como um reflexo direto das incertezas no mercado internacional, agravada por decisões da Petrobras e pela manutenção de impostos federais, mesmo com a redução de PIS e Cofins.